Propõe-se a discutir o sentido da vida sob uma ótica Bush-Vovó Mafaldiana, com muita gesticulação
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Terça-feira, Setembro 30, 2003
Jacó e a fada
Jacó sai à rua com ar abestalhado, fora de si. Ele sente que precisa fazer alguma coisa para evitar o casamento de Eliodora com Fernando. A sensação de que pôs o relacionamento com ela a perder por uma aventura estúpida era um espinho na carne e nos últimos onze meses não parou de repetir de si pra si que ela era dele, que aquela situação era temporária e seria fatalmente contornada. Quando a notícia do casamento marcado chegou, ele tentou agir com indiferença, sentiu o peito anestesiado, como se se tratasse de uma dor remota, alheada de si. A noite anterior à data, contudo, passou em claro, fritando na cama, na mente reboando tudo o que todos disseram sobre o assunto nas últimas semanas. O sol ainda não havia nascido quando ele enfim decidiu agir.
E foi até a igreja. Circundou o prédio em busca de uma entrada, achou uma janela que poderia ser forçada no banheiro, que ficava nos fundos. Insinuou-se para dentro e começou a andar pelo salão vazio. No peito a sensação de que pisava um solo não sagrado, mas trágico, algo assim como um campo de batalha prestes a ser pisado pelos exércitos combatentes.
Decidiu esperar na galeria, no mezanino. Subiu até lá, deitou-se ao chão e, pensando em como faria para levar a cabo seu firme intento, adormeceu.
Adormeceu e sonhou. Uma bela moça vestida de forma estranha vinha voando, tomava-o pela mão e o levava consigo pelos ares, dando risadas. Ele sentia o vento no rosto, deliciado, sentia a maciez daquela mão, a doçura daquele sorriso e lá de cima via paisagens belíssimas. Ela apontava e, sempre a rir, dizia os nomes dos lugares: veja! É a acrópole de Atlântida! Veja ali, o Olimpo, com Asgard mais à direita. Daquele lado a Planície da Terra Média! Veja, é Pasárgada, onde Manuel Bandeira delicia-se, e ali adiante está Camelot, com todos os cavaleiros da Távola Redonda, os doze pares de França, Rolando, Amadis da Grécia e o próprio Carlos Magno. Oh, veja, a Terra do Nunca!
De repente ela interrompeu o vôo e começou a descer. Ele perguntou o que acontecia e ela disse: já está bom de viagens.
- Mas, chegamos ao fim, portanto?
- Sim.
- Diga-me, ao menos, seu nome!
- Claro! Sou a fada dos casamentos felizes.
Casamento...? Lembrou-se do casamento de Eliodora e Fernando e imediatamente despertou. Levantou-se sobressaltado e viu uma porção de gente saindo da igreja. Correu na janela e viu o casal já casado passando por uma chuva de grãos de arroz.
Sentindo o coração partir, olhou, e viu por entre a folhagem da copa de uma grande árvore, a fada dos casamentos felizes rindo seu riso que, Jacó agora sabia, era de mofa.
12:09
Ok, eu permito
que você escreva alguma coisa

Sexta-feira, Setembro 26, 2003
Admirável mundo novo
Estamos em meio a uma revolução. Segundo o perito em informática que ouvi ontem, em palestra, uma revolução sem precedentes nos últimos 5.000 anos, desde que os sumérios inventaram a escrita, e, ele arriscava dizer, sem precedentes pelos próximos 5.000 anos também.
Se tomarmos um homem médio da Europa feudal, as condições de vida da Europa em plena Revolução Industrial seriam absolutamente impensáveis. Qualquer sistema que fugisse à dinâmica vassalo/suserano, plebe/nobreza, fiel/clero, seria impossível de se prever. Muito menos um mundo dividido em comunismo e capitalismo.
Você e eu crescemos em um mundo assim divido, e a verdade é que ele não se encontra mais assim. Que tipo de sistema governará o mundo daqui a alguns anos? É impossível dizer. A revolução digital é realmente impressionante, está transformando as relações humanas em todos os níveis. Em muito pouco tempo, os especialistas vaticinam, praticamente tudo será feito pela internet, praticamente todos terão sua assinatura digital, boa parte dos contatos pessoais será substituída por contatos virtuais, incluindo-se aí até mesmo coisas como audiências judiciais e cirurgias complexas. Hoje mesmo, alguém com um notebook mais possante pode, de seu escritório, valendo-se da tecnologia wireless vasculhar os computadores de todos os seus vizinhos, desde que conheça um ou dois truques. Os juristas quebram a cabeça para saber se suas leis cunhadas para o mundo presencial ainda têm validade no mundo virtual, especialistas em segurança andam com ar apavorado por aí, pais não sabem como regrar a utilização do computador pelos filhos... e a lista não tem fim.
Ora, as revoluções transformam as relações humanas em todos os níveis, isso é fato. Mas também é fato que há algo que elas não transformam. Estou falando do próprio homem. Este continua o mesmíssimo ao longo dos séculos. Continua absolutamente dependente de comida, de ar, de água, de sol. Continua fulcralmente dependente de aceitação por uma coletividade, de um gesto de carinho, de um cafuné. Continua com muito medo, da morte, da vida, do futuro, dos outros. Continua sofrendo solidão (não tem e-mails na minha caixa? não tem comentários no meu blog? alguém me entende? alguém me vê?), separação, impotência para mudar a realidade, fragilidade. Continua se iludindo, se enganando, se maltratando. Continua correndo atrás do que lhe agride, de satisfação de vontades controláveis, de pequenos prazeres cuja relação custo-benefício é escancaradamente desfavorável. Continua, sobretudo, carente de salvação.
Esteja o homem onde estiver, na linha do tempo: em algum momento antes de Cristo, na Europa selvagem dos primeiros anos depois dEle, durante a idade Média, durante a revolução industrial, no meio da guerra fria, agora, amanhã, depois, não importa; esteja onde estiver, o convite continua o mesmo, e igualmente eficaz: vinde a Mim vós, que estais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei (Mateus 11:28). Independentemente do mundo que venha por aí, a solução está em atender este convite.
Feliz sábado, @migos!
08:39
Ok, eu permito
que você escreva alguma coisa

Quinta-feira, Setembro 25, 2003
Parabéns para nós - Repeteco, agora com a foto maiorzinha (deu pau no edit)
2.500 visitas. Os planos eram atingir esse número apenas em 2.009, o que demonstra o estrondoso sucesso de É por aqui que vai pra lá? Tanto sucesso não é de todo surpreendente, no entanto. Só aqui, por exemplo, você encontra as fotos das mais biscoitudas damas a cada 500 visitas. Vamos de Catherine Zeta Jones dessa vez.
14:29
Ok, eu permito
que você escreva alguma coisa

Parabéns para nós
2.500 visitas. Os planos eram atingir esse número apenas em 2.009, o que demonstra o estrondoso sucesso de É por aqui que vai pra lá? Tanto sucesso não é de todo surpreendente, no entanto. Só aqui, por exemplo, você encontra as fotos das mais biscoitudas damas a cada 500 visitas. Vamos de Catherine Zeta Jones dessa vez.
14:23
Ok, eu permito
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Ditado futebolístico
É como dizia o Rodrigão: a esperança é a única que morre.
08:41
Ok, eu permito
que você escreva alguma coisa

Recadinho do doutor Spock
Olá, terráqueo(a)! Vida longa e próspera(o)!
Fiquei um tempo sem poder vir aqui dar recadinhos valiosos porque tive uns probleminhas logo ali na Dimensão Bleb, mas aqui estou eu e meu recadinho de hoje é: cuidado para não cair da janela de algum prédio. A força da gravidade da Terra atrairia você para o chão a uma velocidade muito grande, o que culminaria em muitos machucados feios.
Fique atento e aguarde, que logo mais eu volto com recadinhos tão úteis quanto este.
08:40
Ok, eu permito
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Terça-feira, Setembro 23, 2003
Meus filmes de cabeceira 2 - Antes da Chuva
Tarde vazia de meio de semana, eu saio do Mackenzie pra dar uma sapeada no novo cinema que inauguraram na Rua Augusta, o Espaço Unibanco de Cinema. Tá passando um filme macedônio. Como assim, macedônio? É um filme feito na Macedônia, por macedônios. Até então, pra mim Macedônia era Grécia. Uéu, vamos encarar, vai. Quarta-feira e com carteira da UNE, eles quase tinham que pagar pra eu assistir.
Logo na primeira cena, uma lua enorme sobre o Mediterrâneo, iluminando a capela ortodoxa na colina e eu digo de mim pra mim mesmo: virgi! Esses filmes que te apaixonam à primeira cena são singulares.
Antes da Chuva é dividido em três episódios aparentemente desconexos, mas tratam basicamente de intolerância, a grande marca de nosso tempo. O primeiro ("Palavras"), fala do noviço que fez voto de silêncio e que esconde uma albanesa que está sendo procurada pelo assassinato de um macedônio. O desfecho é impactante e adiantar aqui seria matar o filme para quem não viu. O segundo ("Rostos") se passa em Londres e mostra um casal à beira da separação dentro de um restaurante. Ele não quer a separação, mas ela parece resolvida e dá a última palavra. Enquanto conversam, um sujeito estranho falando uma língua estranha começa uma briga com um garçom e é expulso do restaurante. O garçom, aparentemente inocente, é demitido. Dali a pouco o homem estranho reaparece e armado, atirando para todo lado. O terceiro ("Tempo"), mostra um famoso fotógrafo de guerra macedônio, em crise por alguma coisa que aconteceu em sua recente cobertura dos conflitos na Bósnia. Ele resolve voltar de Londres para sua terra natal. Encontra lá uma realidade na qual ele não se encaixa mais; o povo vive armado, em pé de guerra com a etnia vizinha (albaneses) vociferando uma ladainha de ódio que ele conhece muito bem de outras paragens, tantas que pisou em seu trabalho por aí. Mesmo assim ele insiste em ver seu primeiro amor, uma albanesa, e envolve-se num imbróglio que vai colocá-lo numa sinuca: continua na mesma posição que sempre ocupou, ou seja, fotógrafo, o cara de fora, que assiste tudo sem se intrometer, às vezes torcendo pro circo pegar fogo para ter o que fotografar, ou toma um partido? Se toma um partido, qual?
É claro, estamos na mesma vila onde se desenvolve o primeiro episódio e as peças se encaixam magistralmente, mostrando um roteiro fantástico, cerzido em forma circular, como a cobra que morte do próprio rabo. Tem fotografia. Tem ótimos atores. Tem um roteiro absurdamente bom. Tem uma mensagem. Tem direção segura e certeira. Quer mais o que?
14:15
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Sexta-feira, Setembro 19, 2003
Roteiros fantásticos para filmes nem tanto - 3
Atendendo a insistentes pedidos do George Lucas, escrevi este roteiro que é bem a cara da filmografia dele.
Amor nos tempos do Ira!
Juca é um adolescente quatro-olhos, esquisitão e deslocado, que, em plenos anos 80, vive à margem da turminha de populares na escola. Ele não tem calça Fiorucci, sapato London Fog, camiseta OP, carteira Wagon nem mochila Nativa's. Pelo contrário, está sempre com uma horrível jaqueta California Racing verde. Seus amigos são Whisk Zito, um garoto de dois metros e meio de altura, pálido como um finlandês e que tem uma estranha fixação pelo Kojak, e Joe Tromundo, um garoto magricela e cabeçudo que montou seu próprio videogame usando tampinhas de refrigerante e motores de carrinhos de Autorama.
Um dia chega à escola a bela Gina, espalhando simpatia e dulçor (hum...). Ela deixa cair seu material no chão e pede a ajuda de Juca. Quando Juca descobre que ela notou a sua presença e sabe da sua existência, ele fica obcecado pela garota que, contudo, faz parte dos populares.
Vai haver um bailinho e Juca decide abrir seu coração. Põe sua melhor calça de tergal, aquela camiseta listrada azul clara e amarela, a California Racing sobre tudo e mete os peitos. Começa a dançar esquisitamente as músicas dos Smiths, Cure e Titãs que tocavam, todo mundo dá risada, mas ele está ocupado fechando o cerco à bela Gina, vestida num vestido cor-de-rosa cheio de laços e bufantes. Só que ela está conversando com Marcinho, o cara mais pampa da escola, que tem o cabelo divido ao meio mais hipermeigo de todos. Juca cria coragem, respira fundo e chega junto. Ele diz: "Gina, eu quero lhe dizer que se o amor é branco e a paixão é preta, o que sinto por você é xadrezinho!" Ela fica sem reação e ele dá um passo à frente para tentar beijá-la, quando tropeça no pé de Marcinho, que estava esticado, e cai em cima da vasilha de sanduíches de carne louca. Alvo da chacota e da zombaria do mundo todo, Juca sai, vai ao jardim, tira um saquinho de Dip n' Lik do bolso e o abre com tanta força que o pó brilhante voa-lhe na cara, fazendo-o tossir.
Do meio da fumaça sai uma fada com a cara da Luciana Vendramini que se coloca à sua disposição para realizar-lhe um desejo.
- Eu quero ser popular! ele diz com convicção.
Ela diz então que esse pedido era perigoso, mas que seria atendido.
No dia seguinte ele é atropelado pelo ônibus da Viação Bola Branca e acaba na capa do Notícias Populares e todo mundo dá risada.
Seu enterro acontece ao som de "Receita pra se fazer um herói", do Ira!, que é pra justificar o nome do filme. Todos vão para casa, mas como o orçamento é de longa metragem e esse roteiro só daria quinze minutos, uma invasão extra-terrestre acontece. Alienígenas parecidos com jabutis desmamados começam a andar pelas ruas roubando o cérebro das criancinhas, gritando "aKLAaçdio!" e espalhando o terror. Eles invadem o estádio do Morumbi, mas vendo Miller, Careca, Silas e Pita em ação, arrependem-se de seus maus caminhos e vão pra casa, levando consigo uma bola de futebol e um livrinho com as regras, partindo, assim, na nave espacial batizada "Charles Miller".
De repente Juca acorda e percebe que esteve sonhando enquanto todo aquele Dip n' Lik voava-lhe na cara. Ele percebe que é feliz como está, então volta pra festa e dança sua própria versão de coreografia para "I'm still loving you". Ele acaba sozinho mesmo, e Gina com Marcinho, como desde o princípio dos tempos.
14:09
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Quarta-feira, Setembro 17, 2003
Meus filmes 1 - A dupla vida de Véronique
Falar dos filmes prediletos é tocar em coisas que temos como boas, como acima da média, é ou né? Por essas e outras optei por começar com A dupla vida de Véronique.
Este filme pode ser degustado como mera fonte de prazeres estéticos (sei que de alguns eu receberia pedradas pelo "mero"), como alimento para o cérebro, para o pensamento, ou, de preferência, como ambos. É que ele é ao mesmo tempo belo, tem imagens e situações lindíssimas, ao passo que é difícil de entender, de captar a mensagem. Na primeira vez que vi, gamei, mas não entendi patavinas. A bem da verdade, só fui começar a entender depois que terminei de assisti-lo pela quarta vez.
Momentos belos como a cena que o abre, quando um coral de moças canta ao ar livre, sob uma luminosidade laranja do pôr-do-sol. Close na linda de morrer (tão linda em sua discrição, em sua sutileza) Iréne Jacob, que faz um solo. Enquanto ela sola, uma lágrima começa a escorrer-lhe da face. Ela, cantando, sorri, põe a mão no rosto e aí percebe-se que não é uma lágrima, mas chuva, que faz dispersar o coral e a deixa sozinha, cantando. Ou como o maravilhoso show de marionetes. Ou como as imagens refletidas numa bola de vidro. Ou como a cena do concerto no teatro.
A história fala de duas mulheres, Weronika e Véronique, que são idênticas, no corpo e no espírito, embora uma viva na Polônia e outra na França. A sensação de haver uma "alma gêmea" causa alguma confusão nelas, que confundem aquela coisa forte com a crença no amor homem-mulher. Krzystof Kieslowsky, o diretor e roteirista, responsável também pela trilogia das cores e lemas da revolução francesa Bleu, Blanc e Rouge (A liberdade é azul, A igualdade é branca e A fraternidade é vermelha), era um católico profundamente preocupado com as relações pessoais na sua fria Europa, e não cairia no conto do vigário fácil da "alma gêmea".
Ele deixou, neste (repito, nunca é demais) belíssimo filme vazar sua porção "sobrenatural", inexplicável, imponderável. Levei comigo o recado: não tente entender tudo. É entendimento ou felicidade. E ele (e sua personagem) opta pela felciidade.
13:09
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Terça-feira, Setembro 16, 2003
Postício *
Buarquianas
O sol ainda não tinha nascido hoje e eu estava ali, meio sonolento, assistindo ao Pasquale na Cultura (série Grandes Cursos Cultura) e ele comentava a letra de "Paratodos", do sêo Chico. Você aí, acha difícil rimar, mesmo terminando os versos com verbos como "rimar", "falar", "sonhar", ou então com palavras terminadas em "ão", tipo "coração", "paixão", "Janjão" (esta foi em homenagem à blog série de maior sucesso na blogosfera, Janjão Jones - o espião que me espiava, que você só encontra em Ernestinho e suas mulatas besuntadas)? Pois bem, repare que nessa construção do Chico, como ele mesmo anuncia ali na segunda estrofe, não só os versos rimam e formam um belo sentido, que aponta para a soma de misturas que é o Brasil e, conseqüentemente, o "artista brasileiro" (o próprio Chico, como ele afirma no último verso), mas todos os versos são redondilhas puras, ou seja, versos de 7 sílabas poéticas.
Faça as contas:
O - meu - pai - e - ra - pau - lis - ta (até "lis", sílaba tônica da última palavra: 7)
Meu - a - vô - per -nan - bu - ca - no (7)
O - meu - bi - sa - vô - mi - nei - ro (7)
Meu - ta - ta - ra - vô - bai- a - no (7)
Meu - ma - es - tro - so - be - ra - no (7)
Foi - An - tô - nio - Bra - si - lei - ro (7)
Foi - An - tô - nio - Bra - si - lei - ro (7)
Quem - so - prou - es- ta - to - a - da (7)
Que - co - bri - de - re - don - di - lhas ....
Aí você se dá conta de sua mediocridade e vive mais feliz. Pronto!
I just call...
Triiiim
- Alô.
- Marcão, aqui é o Nick Fury, da S.H.I.E.L.D.
- Ah, oi, Nick. Puxa, como você fala bem o português.
- Adoro Buenos Aires! Escuta, precisamos de sua ajuda!
- Chora!
- Sabe o Galactus, o "devorador de mundos"?
- Tô ligado.
- Pois é, ele tá aí no quintal da gente, querendo destruir o mundo, aquela coisa toda...
- Tá, mas por que você não chama o Quarteto Fantástico?
- Não dá, o Homem Elástico tá com lombalgia, a Mulher Invisível não se enxerga, o Tocha Humana é muito esquentadinho e o Coisa, enquanto Coisa, não atinge o clímax do ser a nível de sublimação objetiva.
- Poxa. Homem Aranha?
- Não é o expertise dele, Marcão.
- Meninas Superpoderosas...
- Tá brincando! Elas adoram o Galactus, têm pôster do cara lá no quarto delas e tudo. Sem chance, você é a nossa melhor opção.
- Ah, tá bom. Olha, faz o seguinte, pega o reator retro-ativador de prótons em feixes beta-gama com sete cabeças e conversor francês-chinês mandarim que tem ali no edifício Baxter.
- O que tem alça monocromática de metal escovado com frisos laterais azul-turquesa?
- Não, não, esse é o reator pró-sônico de ondas lítio-magnéticas com refil e bateria extra. O que eu disse é o que tem santo antônio vermelho com três bicos frontais e um adesivo "Jet Pilot" em baixo.
- Tá. Achei.
- Bom, aponta isso pro Galactus, depois liga as turbinas meta-supurosas de íons cabeludos e, quando ele estiver distraído, faça cócegas nas costelas do seu lado esquerdo usando uma mão mecânica que eu vi uma vez ali na Liga da Justiça.
- Tá beleza. Você misturou Marvel com DC, mas tá valendo. Obrigado!
- Sem problema, mas me diz uma coisa: por que vc me ligou às duas e meia da matina?
- Putz, desculpa! Esse fuso horário! A gente fica aqui no Porta-aviões aéreo da S.H.I.E.L.D. e esquece da vida...
- Firmeza. Vai lá.
Proustianas
"Estava num desses períodos da mocidade, vagos, desprovidos de um amor particular, em que, por toda parte, como o enamorado com a mulher por quem se apaixonou - se deseja, se procura, se vê a beleza. Que um único traço real - o pouco que se distingue de uma mulher vista ao longe, ou de costas - nos permita projetar a Beleza diante de nós, imaginamos tê-la reconhecido, bate-nos o coração, apressamos o passo, e ficaremos sempre meio persuadidos que era ela..."
Marcel Proust - À sombra das raparigas em flor
(*) coletivo de post, assim como cardume é coletivo de lobos e enxame é coletivo de pingüins
08:54
Ok, eu permito
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Segunda-feira, Setembro 15, 2003
A propósito dos postes abaixo
De qualquer modo é preciso lutar pelo advento de um tempo em que a virtude dirija os homens. É preciso aprendermos a nos esquecer de nós mesmos. É preciso entregarmo-nos ao trabalho anônimo e saber encontrar a felicidade que nele existe. É preciso, sobretudo, nutrir uma esperança secreta"...
Faz muito tempo que li Abdias, de Cyro dos Anjos, de onde retirei essa citação aí. É meu romance predileto. Mas não lembro se esse trecho específico eu o retirei do final ou do começo do livro. Faria mais sentido e eu preferiria que fosse do final. Leia para saber porque.
08:17
Ok, eu permito
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Temperança
Ser temperante é, em suma, ser bastante sábio para reconhecer quando seus apetites oferecem o perigo de subverter sua própria razão e vontade, escravizando-o e sentenciando-o a constantes e sucessivos excessos. Ora, todo excesso é altamente nocivo, na medida em que elastifica o senso de conveniência, torna maleáveis os padrões, enfraquece a vontade. O temperante, portanto, reconhece essa "zona de perigo" para os sentidos e deliberadamente mantém dela uma distância segura e bem marcada. Da segurança que advém desse distanciamento, nasce maior e melhor regozijo no fruir do que não o ameaça.
08:14
Ok, eu permito
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Fidelidade
Amamos pessoas e isso é um erro. Se eu amo uma mulher, estou fadado a deixar de amá-la no instante seguinte, já que estamos todos em constante mutação. Assim, amamos o instantâneo que tiramos de alguém e a ele é impossível ser fiel, eis que se dissolve no tempo, perde-se, evapora-se. Ninguém consegue ser fiel a uma nuvem de gás. Como diziam os antigos, nenhum homem se banha duas vezes em um mesmo rio, eis que na segunda imersão, nem o homem nem o rio são mais os mesmos. Dever-se-ia, sim, cultivar o amor pelo valor intríseco de alguém - como Deus o faz - de modo que o amor se perpetue através das constantes e inevitáveis mutações que o objeto amado e o próprio "amador" passarão.
08:09
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Sexta-feira, Setembro 12, 2003
Badalação na raigue soçaite
Instantâneo da festa dada por Renata Sorrah nesta sexta-feira. Não faltou Baré Cola e Snicks.
a bem da verdade, a Lux tá me dando umas aulas de edição de imagens. Esta é a primeira tentativa e não poderia ter escolhido imagem mais própria. Ou poderia?
16:23
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Visitas em lustres
Esta tarde recebi a visita de uns caras bacanas. Eles vieram ver como estava o movimento. Aníbal disse que queria certificar-se de que tudo o que eles ouviam dizer na América era verdade. É com orgulho que digo que eles voltaram muito favoravelmente impressionados.
Perguntei pelas crianças, tomamos todos juntos um mingau Cremogema e petiscamos um Fritopan manêro. Eles perceberam que minhas espinhas sumiram e perguntaram se eu ainda era a fim daquela guria da oitava série. Até botar todo o papo em dia...
Bom, no fim pedi pra eles posarem pruma foto. Taí em baixo.
15:00
Ok, eu permito
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Quinta-feira, Setembro 11, 2003
Antologia poética
Eis aqui algumas estrofes maravilhosas, inspiradas pelos meus tacanhos versos postados no poste comemoratício das 2.000 visitas. Atentem que todas as três são firmadas por personalidades do topo do whois blóguico tupiniquim:
Por Inagaki:
Nas noites insones eu, sonâmbulo
qual um "gauche" que se drogue
de blog em blog perambulo
em busca de alguém com quem dialogue
Pois eis que encontro um macaco velho
parceiro ideal pra tergiversar
na mesa de bar do Marco Aurélio
pois é por aqui que se vai pra lá
resenha:
A despeito da utilização indevida da expressão "macaco velho", nos remete a Baudelaire e Rimbaud. Sublime!
Por Nelson da Praia:
Duas mil visitas
De emoção se desmaia
Pega tua porção de fritas
e vem tomar cerva na praia
Aproveitar a aragem
E a conclusão não é vil
É só fazer a contagem
Chegará a muitos outros mil!
(Ruim porque escrito em tempo real... Sorry e amplexos praianos)
resenha:
Lindas metáforas. Só esqueceu que o alvo da poesia é abstêmio e lá na praia só tasca a água de côco levemente batizada do quiosque do Mirandinha. No mais, fantástico.
Por Luciana Dantas Teixeira Lux:
parabéns Marcão/do meu coração
dileto amigão
do saudoso Capão o presente merecido
que nao deve ser por ti esquecido (que métrica!)
é um editor de figuras bem bonito
pra não blogar essas mulezinha em tamanho gigantido.
resenha:
Bela utilização livre de rimas forçadas. Só esqueceu que o objeto do poema é analfabeto em assuntos informáticos e não faz idéia do que seja "editor de figuras". No mais, pórreta!
11:44
Ok, eu permito
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As escandalosas, polêmicas e controversas biografias não-autorizadas de Serginho Mallandro
É por aqui que vai pra lá? está imbuído de nobres sentimentos e objetivos edificantes, a começar pelo lucro em si (somos protestantes e não vemos mal algum no dito cujo). Além do lucro em si, a idéia é trabalhar pesado para que figuras que ofertam contribuições de vulto insofismável ao engrandecimento da cultura pátria não passem ao largo das atenções do grande público. Em nossa missão de resgate, contratamos dois intelectuais de renome para biografar aquele que talvez seja o mais ignorado dos bastiões da requintada cultura hodierna: Sérgio Mallandro.
O primeiro biógrafo é Zico. Sim, aquele simpático bonequinho que sempre dava notas dez para as desafinadas crianças do saudoso programa do palhaço Bozo. O segundo biógrafo contratado é Zé Celso, o consagrado dramaturgo. Os leitores atentos notarão que há divergências entre as duas biografias. Analise tudo e retenha o que é bom (se for capaz).
Mallandro - um gênio a serviço do Brasil - por Zico
Sergio Mallandro, nascido Sergio Felício Crispim Flores, nasceu em 18/05/58 em Itaquera, na cidade de São Paulo, filho de um advogado militante dos direitos humanos durante a ditadura e de uma professora de filosofia da USP. Sua infância foi cercada de cuidados e muito cedo ele travou conhecimento com personalidades como Sergio Buarque de Holanda, Caio Prado Jr., Darcy Ribeiro, Paulo Freire e Carlos Drummond de Andrade, amigos íntimos da família. Aos onze anos publicou seu primeiro ensaio, em alemão, sobre a influência da migração mato-grossense na formação das características geo-sociais do oeste paulista. Aos dezesseis anos, após uma brilhante passagem pela Universidade de Coimbra, onde graduou-se em Ciências Sociais com ênfase em computação, Sergio assumiu um posto no Itamaraty, comandando as delicadas relações com o bloco soviético. Muitos tributam a ele o contorno da crise do petróleo, em 73, quando contava com tenros dezenove anos.
Aos 22 publicou sua obra de maior impacto no cenário internacional: "Um breve estudo sobre a morbidez humana e o controle de natalidade - Do Egito Antigo à Serra Pelada" Palestrou na Europa onde foi aplaudido de pé por Jean Paul Tornier e por Pierre Abatjour Mousse Soutien. Depois de redigir o documento oficial do Tratado de Nuremberg e de integrar a comissão que descobriu a AIDS no Instituo Pasteur, Sergio descobriu que padecia de uma rara enfermidade chamada "Brutuejo na Pança". Percebendo a fragilidade da vida e sendo colocado face a face com a morte, escolheu seguir a via artística, trocando constantes idéias com Woody Allen e Akira Kurosawa, amigos íntimos dele. Conta-se que a idéia de transportar Rei Lear para o Japão feudal não tenha sido de outra pessoa, e que o "Vem fazer glu glu" seja sugestão do próprio Godard, que bebeu na obra de Sergio Mallando mais de uma vez. É isso.
Sergio Mallando - o que há de bom por Zé Celso
Tentei concentrar-me no que Sergio Mallando já fez de bom na vida, para compor esta biografia. Cheguei a estas informações: aos quinze anos, Sergio resistiu à intensa vontade de flatular no elevador da rádio Cidade, em São Paulo. Aos vinte e seis, em um jantar com amigos e familiares de sua namorada, em determinado momento, podendo fazer uma piada ou dizer alguma coisa, ele ficou quieto. É isso.
09:14
Ok, eu permito
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Terça-feira, Setembro 09, 2003
Duas mil visitas!
Isso merece comemoração. Aqui já não bastam só duas palavrinhas. Preciso de quatro: Claudia Schiffer e Cristina Reali.

Fico tão emocionado com tamanho prestígio da comunidade internauta internacional que, entre lágrimas, compus estes versos:
Duas mil visitas
aqui no meu blog
Gente de Gog a Magog
Aqui deixa pistas
nos EUA, comendo fritas
ou em Londres, por entre o fog
no Japão, meninas aflitas
e na Libéria, garotos grogues
Todos se unem e dando-se as mãos
põem-se a cantar:
Somos todos irmãos
em É por aqui que vai pra lá?
O árabe beija o judeu
E o judeu beija o alemão
O alemão escreveu não leu
enternecido beija o negão
Todos são mais felizes
e gozozos põem-se a cantar
Inexistem deslizes
na felicidade de É por aqui que vai pra lá?
Venha você também
conosco blogar
chega de nhémnhémnhém
eu preciso trabalhar.
10:58
Ok, eu permito
que você escreva alguma coisa

Segunda-feira, Setembro 08, 2003
Não misture cachaça ao seu mingau noturno
Fomos a uma churrascaria e meu cunhado comprou um daqueles balões de gás bonitões que têm por aí, um peixe enorme e todo colorido, pro Eduardo (o herdeiro do império É por aqui que vai pra lá? Inc.). Não acostumei muito bem com aquele bicho enorme boiando pelo teto da minha casa. Apesar de ser um peixinho muito bonitinho e sorridente, às vezes, dando incautamente de cara com ele, tinha um sobressalto achando que as piranhas marinhas voadoras (um clássico do cinema norte-americano que todo mundo deve ter visto) haviam invadido meus domínios. Outras vezes me sentia no meio de uma onírica viagem ácida à la anos 70, aquele peixão colorido flutuando pelo ar, tudo muito psicodélico, aspirais verde limão e por aí afora...
Decerto que influenciada pela aura LSD que aquele inocente balão jogou sobre a casa, minha esposa protagonizou uma cena digna de abrir um filme de Luís Buñuel. Madrugada alta, o Eduardo começa a chorar. A Tatiana me chacoalha e diz pra eu ir pegar o peixe.
- Hein? Como assim? Que peixe? eu pergunto ainda todo grogue de sono.
- O peixe que ele come! ela responde irritada. Segue-se a mesma cena com poucas alterações, como ela cada vez mais brava e eu cada vez mais sem entender patavinas, até que ela se levanta me xingando, me acusando de não ajudar etc etc etc
Tentei pensar no sentido daquilo tudo, mas acabei voltando a dormir, só que com uma brutal dor na consciência. Eu pensava: "putz, tô tão dormindo que não consigo entender o que ela estava pedindo, eu sou um inútil!"
Só ontem de manhã, após eu passar um tempo evitando olhar para ela para não levar mais merecidas broncas, ela me pergunta:
- O que é que te pedi hoje de madrugada?
Esclarecidos os fatos, ela riu e eu também, de alívio. Só para desencargo de consciência, conferimos a validade do suco de uva a ver se não havia fermentado sem a gente perceber.
13:29
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(poste furtado de Ernestinho e suas mulatas besuntadas)
Justiça inda que à tarde
Certo dia Jeodabaque (que significa "aquele que rosqueia a porca com as duas mãos") carregava umas pranchas de sua marcenaria quando, ao sair pela porta, abalroou involutariamente a Otinisaque (que significa "minha dor de pescoço passou"). Otinisaque veio a perder um dente por conta da pancada.
- Mil perdões, querido Otinisaque! disse Jeodabaque.
- Não fique embaraçado, irmão Jeobadaque. Mas, você sabe o que diz a lei...
- Claro, claro, irmão. Olho por olho...
- Dente por dente!
- Sim. Como faremos?
- Talvez eu possa acertar sua boca com esse toco de pau aqui...
- Boa idéia! Fique à vontade.
POW
- Obrigado, irmão, agora a justiça foi feita e podemos nos separar em paz.
- Echpere - Jeodabaque tinha a boca cheia de sangue - Lamentavelmente, irmão, seu golpe tirou-me foram três dentes! Você me deve dois, portanto...
- Oh!
- Sim, e você sabe o que diz a lei, não podemos simplesmente passar por cima dela!
- Claro! Claro! Tome aqui o porrete.
POW
- Quantos?
- Lamento - cuspindo o sangue - sua força foi demasiada e arrancou-me quatro dentes, e não apenas dois!
POW
- E agora, irmão? Terão sido atendidos os reclamos da lei, desta feita?
- Oh, nobre irmão, lamento, mas além de essa pancada haver-me arrancado todos os dentes, essa ferpa acabou por cegar-me do olho esquerdo.
- Puxa irmão, esse olho era tão belo! Mas... a lei! A lei! Vamos a ela!
Moral edificante: olho por olho e todos ficaremos cegos.
09:29
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Sexta-feira, Setembro 05, 2003
E la nave va - poste comemoratício dos trint'anos completos hoje
Newton dizia que chegou longe porque subiu aos ombros de gigantes. Apesar de haver algum problema com a caspa alojada ali nos ombros, busquei seguir esta máxima para desfrutar do sucesso e da glória do universo bloguístico. Não seria difícil, como hoje é, caminhar pelas ruas e shoppings da vida, por causa do histérico assédio dos fãs exataldos, se não tivesse buscado inspiração, por exemplo, em monsenhor Inagaki (que me chama de "pequeno gafanhoto", numa alusão ao velho e não tão bom David Carradine em seu melhor papel, o de aprendiz de kung fu no seriado que embalou a minha geração ao ser reprisada na Bandeirantes).
Pois bem, eis que o referido mestre postou há alguns dias um quase melancólico texto anunciando haver completado 30 primaveras. Pois hoje é hora de imitá-lo também nisso, eis que acordei ciente de que meu andar sobre o papel de seda da vida conta já com três décadas.
Minha patroa comprou 30 de meus chocolates prediletos, colou a cada um um cartãozinho com uma qualidade que ela jura que eu tenho e espalhou pela casa. Eles faziam uma trilha até um cartão belíssimo com uma bela foto nossa, mais o nosso rebento, decerto o mais belo cartão que já recebi. Isso lhe custou umas horas de sono, coitada, mas me fez vir pra cá hoje respirando fundo (nada como uma bela inspiração de monóxido de carbono logo cedo pra turbinar o dia) e agradecendo a Deus as milhares de bençãos de que Ele me fez alvo nesses anos aí. Bençãos que me dão uma inabalável esperança no destino final desta embarcação aqui.
Entre as bençãos agradecidas encontram-se os amigos e entre eles vocês, os virtuais (ou não). Sabe o que Ele me respondeu? Muito mais. Louvado seja!
09:43
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Quinta-feira, Setembro 04, 2003
Poe sia, inda que a manhã não raie!
No trôpego andar das idéias tortas
No luzir das horas mortas
Perfurou-se-me a aorta
e a rima vazou
17:25
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Hora do comercial
Interrompemos a exibição dos postes mais inteligentes, requintados, magnânimos, argutos, sagazes, supimposos e melífluos da internet do hemisfério sul para você poder comer umas bolachas recheadas de morango com danoninho e para apresentar aos incautos o fabuloso COMverSOS [e prosas], um fanzine inspirado no velho e bom Spamzine, mas feito exclusivamente por autores cristãos. Contos, crônicas e poesias aparecem quinzenalmente (com um atraso de praxe). As edições ímpares são sempre temáticas (já apareceram edições sobre natal, loucura, amores possíveis, música, televisão e pencas de outras).
Além disso tudo, o site (que é tocado pelo talentoso webmaster nox, achável em http://www.fabrica21.com) tem uma porção de seções interativas, como a Gororoba, onde você pode começar uma história para outros continuarem ou continuar as de outros, ou o Forum, onde debate-se idéias, ou o COMverSação, onde rola um bate papo sem compromisso.
Vai lá e diz aí o que deu.
13:17
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Quarta-feira, Setembro 03, 2003
Mais roteiros magníficos para filmes nem tanto
É rápido, simples e indolor! Você escolhe o roteiro, manda pra mim a grana e pode sair filmando! Hoje vamos apresentar um filme bem Supercine, baseado em fatos irreais
Roteiro 2. Título: A FORÇA DE UMA MULHER DETERMINADA
sinopse: mulher atormentada por um segredo do passado decide mudar-se para o Rio de Janeiro e recomeçar a vida. Ela não imaginava que lá seria obrigada a encarar o seu passado e a fazer uma terrível escolha!
Emilene Flávia está assistindo à formatura de seu namorado, Asdrúbal Marcelino e ele se levanta para fazer o discurso dos formandos. Asdrúbal fala alguns lugares-comuns sobre a vitória que aquele dia representava para todos, faz umas piadas sem graça sobre a forma física de um colega gordão, todos riem. Aí ele fica sério e diz que nada daquilo teria sido possível para ele não fosse o amor que sentia por Emilene Flávia. Então ele pega o microfone na mão e faz um sinal pra orquestra, que começa a tocar "meu iaiá meu iôiô". Ele canta, todos se levantam e começam a bater palmas no ritmo da música. Emilene Flávia ruboriza, quer esconder-se, mas ri, se levanta e começa a bater palmas também. Quando a música termina, Asdrúbal Marcelino diz:
-Emilene Flávia, este é o momento para fazer a pergunta mais importante que eu já fiz na minha vida: quer casar comigo?
Todos batem palmas, ela começa a chorar, os formandos pegam-no sobre os ombros e o levam até onde ela está, eles se beijam e ela diz Sim, eu quero!
Oito anos depois...
Emilene Flávia se despede com um beijo de Asdrúbal Marcelino, que está saindo para trabalhar. Antes de sair ele diz que a ama mais que nunca. Ela começa a cuidar dos três filhos, quando o telefone toca. Ela atende. Diz: o quê!? Faz uma cara de choque e então começa a chorar.
A cena seguinte é no cemitério. Todos de preto chorando e um tocador de gaita-de-foles entoa "meu iaiá meu iôiô".
Seguem-se cenas em que Emilene Flávia dá uma de revoltada, quer largar tudo, desistir de viver, mas seu filhinho caçula, o pequeno Asdrúbal Filho, diz:
- Mamãe, nós precisamos ser fortes!
Então ela enxuga as lágrimas e bola pra frente!
Procura emprego, procura uma creche pros filhos e luta bravamente para criar seus três filhos. Aparece um novo amor, mas Renato Renan não gosta de crianças e pede que Emilene Flávia as abandone para ficar com ele. Ela diz: nunca!
Então ela é sequestrada por guerrilheiros das FARC e levada à Colômbia. O policial durão Carlos Bronson jura libertá-la e começa uma implacável perseguição pelo sertão goiano. Sangue pra todo lado, até que Carlos Broson consegue salvar Emilene Flávia e pega um avião para voltar, mas o avião tem uma bomba que explodirá caso ele diminua a velocidade. Nesse momento Renato Renan aparece do nada e diz haver reconsiderado sua opinião sobre crianças e pedindo uma segunda chance. O avião onde estão é abduzido por um disco voador e Emilene Flávia não sabe o que dizer, está muito confusa. Carlos Bronson admite ter AIDS e começa a narrar todo o drama de sua existência e o preconceito da sociedade hipócrita. O disco voador aterrisa em São Paulo, na Margina do Rio Pinheiros, todos descem cantando "We are the world" mas são atropelados por uma jamanta desgovernada.
Fim.
estamos estudando uma continuação a essa história maravilhosa. Quem sabe uma trilogia??
12:40
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Terça-feira, Setembro 02, 2003
Fábulas Consagradas - O porquinho Edmílson
Edmílson era um porquinho afrescalhado. Ele não gostava de sujeira, odiava chafurdar na lama do chiqueiro e passava o tempo praticamente todo dentro da tina de água, lavando-se, esfregando as unhas, etc. Com isso adquiria o desprezo e a incompreensão dos demais porquinhos da fazenda. Lá da tina de água ele conseguia ver o interior da casa dos donos da fazenda, sempre tão limpinha e brilhante, e sonhava em morar lá, entre nenúfares (?) e lençóis de cetim perolados. Seus pais morriam de vergonha de seu comportamento excêntrico, ele era visto como rebelde por toda porcandade e sua má fama corria todo o Condado.
Um dia o capataz aproximou-se do chiqueiro e disse:
- Queridos porcos, eu gostaria de levar um de vocês lá para dentro. Não quero ter de correr atrás de alguém, por isso apreciaria muito se alguém se voluntariasse...
Antes de terminar a frase, contudo, Edmílson já pulava à sua frente todo feliz e contente. O capataz sorriu, pegou-o com cuidado e no dia seguinte ele foi servido ao molho de goiaba. Edmílson não gostou da história, porque o molho de goiaba é muito pegajoso e porque o colocaram numa travessa que não estava suficientemente limpa.
Moral: Quem com ferro fere, tanto bate até que fura.
14:44
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Segunda-feira, Setembro 01, 2003
Da série Roteiros Cinematográficos de Sucesso com Garantia de 1 ano e Refil de grátis
Cineastas de prantão, vocês sabem, um bom roteiro é meio caminho andado. 25 milhões de dólares de orçamento é outra metade, o Rodrigo Santoro estar de bom humor no dia que vocês forem tentar contatar é outra, e assim por diante. Mas seus problemas acabaram pois É por aqui que vai pra lá? mata a cobra e mostra a bazuca. Roteiros fresquinhos, inteligentes, requintados, prontos para você pegar e brilhar, só aqui
Roteiro 1 - OS VERMES COMERÃO SEU ESÔFAGO
Búzios-RJ. Sons de copos tilitando, música alta e risadas. Uma festa em um casarão de frente para o mar, cheia de adolescentes libidinosos com os hormônios em disparada. Um casal sai de fininho e começa a se agarrar indo em direção ao mar. A câmera está rente ao chão e começa a andar na direção deles enquanto uma música de suspense começa a tocar. Ela se aproxima. Está muito próxima agora. De repente, chega perto do pé do rapaz e NHAC! entra pele adentro, cai na corrente sanguínea e começa a cavocar a pele dele por dentro.
É um bicho geográfico, saído duma poça de xixi de cachorro. O rapaz começa a se coçar e não consegue terminar o serviço com a garota, que reclama. De repente, ela dá um grito de pavor jamais visto no cinema nacional e sai correndo em disparada. O rapaz olha e na pele da sua perna está escrito "Morte".
Corta para um laboratório onde a perna amputada do garoto está sendo estudada. Um cientista olha num microscópio e diz:
- Bob, trata-se de um bicho-geográfico mutante!
- Como assim, mutante?
- Ele é alienígena, tem um cabelo verde muito estranho e está fazendo um sinal.
- O que ele está dizendo?
- Para eu por o dedo na lâmina...
- Não! Frank! Não faça isso!
Tarde demais, Frank também está contaminado e enquanto se coça freneticamente em seu peito aparecem as palavras: "Anjo vingador".
A história é interrompida e mostra o drama do garoto com a perna amputada para ser aceito na academia das agulhas negras. Ele tem que vencer todo o preconceito, mas mostra muita fibra e caráter e acaba se formando como o primeiro da turma, para orgulho de sua mãe, diabética, e de sua vó, escalafobética. De repente a história dá mais uma guinada e acompanha a estranha história de amor da avó do garoto com um marceneiro albino, que tem um cliente que é vizinho de Bob, o cientista amargurado pela morte de seu amigo, Frank. Tudo se encaixa num gran finale de tirar o fôlego, com uma perseguição em cima de pernas de pau pelas vielas da Rocinha enquanto Tony Garrido canta "você não sabe o quanto eu caminhei/ pra chegar até aqui..."
Gostou? Espero só até ver os roteiros de "O drama de um cirurgião alcoólatra", "Os vermes comerão seu esôfago III" e "Pequeno Ernulfo e os duendes manetas".
13:40
Ok, eu permito
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