Propõe-se a discutir o sentido da vida sob uma ótica Bush-Vovó Mafaldiana, com muita gesticulação




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Para recompor a integridade de seus neurônios após ler o que escrevi, consulte blogs e páginas decentes:

Ernestinho e suas mulatas besuntadas

Bereteando

Ao Mirante, Nelson!

Ipsis Literis

Milton Ribeiro

Pensar enlouquece. Pense nisso.

Pura Goiaba

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Adelaide Amorim

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Escrivaninha do Marco






























Segunda-feira, Maio 31, 2004
Andanças

Sumi daqui por estar comendo a poeira dos caminhos desde quarta-feira passada, quando bandeei-me outra vez para o reino encantando da Tchêlandia.

* * * * * * * * * * * *

A noite fria de Porto Alegre me levou a um Café Colonial, ali na Cristóvão Colombo. Apesar de ser meia-boca, deu pra eu encher o buxo e passar a noite gemendo no hotel. Quando chegou a bandeja com os quentes, perguntei o que ali não tinha pedaços de cadáveres, vegan que soy, e percebi que o cidadão foi tirando uma por uma das iguarias até que restou apenas um pratinho com pães de queijo. Meio mornos, já. Ruizinhos, até.

* * * * * * * * * * * * *

Prestei atenção no caminho que o táxi fazia do hotel até lá e aproveitei a enorme bagagem ventral que levava e que pesava não só o estômago mas principalmente a consciência para fazer uma das coisas que mais gosto: andar por cidades estranhas. Não há melhor maneira de conhecer um lugar, de capturar-lhe a alma, sentir-lhe a atmosfera, que esse. Refiz o caminho de volta inteiro a pé, o que me rendeu uns quarenta minutos de bate-perna (tempo infelizmente insuficiente para evitar a gemeção noturna, como já mencionado).

Na primeira esquina, algumas bexigas brancas, soltas de alguma comemoração por ali, flutuavam sobre a calçada, ao sabor da aragem fria que batia. Meio sem saber porque, peguei uma na mão e fui andando.

Passei por pouca gente, o frio não convidava às ruas, mesmo assim cruzei com pelo menos umas cinco belíssimas mulheres e uns três tipos estranhos, do tipo "sí, yo tengo mucha personalidad". Passei por umas pizzarias simpáticas e uns botecos nem tanto, e também por um shopping center com o modestíssimo nome de Total.

Foram poucas quadras, mas desenvolvi com a bexiga branca uma relação meio Tom Hanks e Mr. Wilson, entende? Imagine pois minha indignação quando um ônibus passou zunindo e arrancou a minha colega ainda sem nome das minhas mãos. Ela voou para o meio da avenida e eu fiquei observando sua partida melancolicamente. Só que não podia sair correndo atrás dela por algumas razões:

1. Eu não tinha uma barba até o meio do peito, como o Tom, atrás da qual me esconder e prestar-me ao ridículo de estar correndo atrás de uma bexiga.
2. Tinha jogo do São Paulo pela Libertadores, no time to loose.

* * * * * * * * * * * * *

Refestelei-me na cama, já de banhinho tomado, já de pijaminha botado, já com a água sem gás do lado e aguardei o começo do prometido chocolate tricolor sobre o timeco venezuelano. O-oh. Globo: XV de Campobom versus Santo André. Ok, o XV de Campobom é um time gaúcho, vá lá. Corramos pro Sportv: XV de Campobom versus Santo André. NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃO!!!

* * * * * * * * * * * * *

Nem os gols os maledettos não mostraram, malemal falavam que tinha saído gol. Meno male que o chocolate aconteceu.

* * * * * * * * * * * * *

De manhãzinha, toco, de ônibus, pra Pelotas. Na viagem assisti ao inesquecível "uma vida em sete dias". É tão inesquecível que tive de consultar o baú pra conseguir acertar o nome.

Em Pelotas tava um frio do cão. Fiquei perambulando pelo centro da cidade, que tem três coisas em abundância: mulheres biscoitudas, casarões imperiais em péssimo estado de conservação e docerias, confeitarias e que tais.

Procurei não respirar muito fundo nem beber água, que dizem que o ar e a água por lá são muito frescos, mas a verdade é que não vi nenhum gay, a despeito da fama do lugar. Também não fiquei procurando, tchê!

* * * * * * * * * * * *

Quase meia-noite zarpa meu vôo para logo ali, Recife. Vôo lotado, com muitas crianças e escala no Rio. Em suma, duro de dormir. Quatro e meia da matina estou lá em Pernambuco, carregando minha infinidade de casacos com aquela sensação de ser um idiota, já que o frio de lá era de 26 graus.

* * * * * * * * * * * * *

Não me perguntem por praias nem nada, em Recife só tive tempo de visitar a velhíssima amiga Luciana Lux Lunae, owner dos excelentes blogs Órbita e Luz e Céu (que ela criou pra narrar as peripécias do casamento, que aconteceu há poucos dias, com o Tibério, a quem conheci). Ela mandou bem num rango típico potiguar-pernambucano (foi o que me garantiram).

* * * * * * * * * * * * * *

Senti-me saindo de um post do Homem Chavão quando suspirei um "Lar, doce lar" ao esticar as canelas ao lado da patroa e do patrãozinho após um vôo com duas escalas de volta.

* * * * * * * * * * * * * *

Se Goethe está certo e "para um homem inteligente, viajar dá a melhor educação"; se mamãe está certa e eu sou um cara inteligente (ela jamais mentiu pra mim, sou tentado a acreditar); logo, estou ficando cada vez menos mal educado.
13:10

Ok, eu permito que você escreva alguma coisa


Quarta-feira, Maio 26, 2004
Então, no Saloon de Jack Cabeça de Jabuti

Jimmy Mãos de Borboleta tocava sorridente "Mary wanna marry" quando Juanito Manos Leves adentrou o saloon, foi até o balcão e pediu um Fogo Paulista. Foi servido de leite com Quick sabor morango e fez um muxoxo de decepção, como sempre.

Dessa vez, contudo, os olhares de todos os circunstantes estavam sobre ele. Percebendo a sensação que ele causava, deu uma talagada no Quick e, com um buço cor-de-rosa, virou-se lentamente para que todos admirassem melhor. Estava com uma camiseta amarela, com uma enorme estampa de uma baleia saltando de um rio, e os dizeres "Salvem as baleias do pantanal". A impressão foi tão forte que Jimmy Mãos de Borboleta chegou a escorregar na modulação da canção.

No dia seguinte, Paco, o Cucaracha chegou mais tarde que o costume, calculando o momento em que já todos estariam no saloon. Trazia sobre a camisa xadrez uma camiseta roxa estampada com uma foto de sua mãe, a dócil Conchita "Metralha" Cucaracha, no leito de dor, e embaixo, em garrafais letras amarelas, os dizeres: "Lute contra o câncer da mamma". Paco tirou uma inexistente sujeirinha de sobre a estampa, esticou a camiseta, sorriu deliciado e esbofeteou as portas do saloon, entrando com estrépito.

Qual não foi sua decepção ao notar que já todos os compañeros trajavam camisetas quetais. Jimmy Mãos de Borboleta trazia sobre a camisa engomada uma camiseta preta com a foto de um moleque de olhos esbugalhados e a boca muito aberta, sob um lettering que dizia: "Ampare as criancinhas com asma". Mais adiante, o xerife Bill "Murros" Wilkinson, sob o colete de couro aberto, ostentava uma camiseta azul berrante com a estampa de um enorme cágado sonolento, e os dizeres: "Estenda sua mão para os Cágados com Dislalia". Por fim, a bela Rosa, a Rumorosa, sobre o vestido trazia uma camiseta pink com a estampa de um esquilo com agulhas espetadas no rosto e o recado: "Testes de maquiagem em esquilos da Prússia: diga não".

Paco, o cucaracha, ficou aborrecido e foi sentar em sua mesa costumeira, passando a afiar um ancinho enorme com fúria, enquanto Jimmy Mãos de Borboleta, achando tudo muito engraçado, engrenou em "Old Old Alabama, please never leave me alone" .

* * * * * * * * * * * * *

Antaologia Poética I

Tantas e tantas vezes
Penso, cá comigo
Que, por não ter utilidade
o amor seja como o umbigo
Noutras tantas vezes, tantas
Se me altera a idéia
E penso que, sem precisar forçar
E por sozinho ele vir
O amor seja como a diarréia
Sutilezas ele tem
Um dia vai, no outro vem
Mas se o desejas ter, bem,
Toma cuidado que jamais fiques sem vintém
Pois, máximo horror
o ditado é fiel:
Só quem vive de amor
é dono de motel
09:03

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Sexta-feira, Maio 21, 2004
Minha história de flertes em ônibus

Um dia uma amiga me chamou a atenção pra que boa parte dos contos que eu tinha escrito se passavam dentro de ônibus ou metrôs. Ora, habitando a periferia de São Paulo e estudando no centro não havia como ser diferente, boa parte da minha existência eu passei dentro de transportes coletivos por aí, e no ônibus você tem tempo pra olhar ao redor e gente curiosa pra observar.

Li outro dia num blog uma história meio onírica sobre um flerte no ônibus, que me remeteu a minhas experiências nesse campo. Prepare-se, pois, para uma altíssima carga de sensualidade, diálogos picantes e temperatura nas alturas:

I

Eu ia da Vila Olímpia para Santo Amaro em um ônibus que dá mais voltas que moscas de lâmpada. Havia conseguido um lugarzinho para sentar bem em frente ao cobrador, antes de passar a catraca, portanto. Estava no meu indefectível terno de linho claro, uniforme de estagiário de direito pobre, mas com uma gravata linda de morrer, que eu havia comprado com metade da minha bolsa auxílio do mês anterior na Mr. Kitsch, graças a uma vendedora especialmente persuasiva (troque por biscoituda, se quiser).

O ônibus pára e eu vejo subir um rosto conhecido. Puemba, era uma modelo lindíssima, que havia sido capa da Capricho fazia pouco tempo. Quis a Providência que ela se assentasse aonde? Sim, ao meu lado. Quis, ainda, a Providência, que ela não fosse muito acostumada a esse negócio de ônibus e tivesse dúvidas sobre o itinerário. A Providência, não satisfeita, quis que o cobrador fosse uma anta e não soubesse responder o que ela lhe perguntou, deixando caminho aberto para eu socorrer a formosa dama com minha voz de baixo e meu know how de quem conhece as estradas e o tempo. Ela pareceu muito agradecida, e ficou ali, ao meu lado, e eu há pelo menos uns onze meses sem namorada e sem um beijinho sequer.

Aconteceu o que acontece sempre nessas ocasiões. Digo, acontece sempre quando ando de ônibus: eu dormi. E quando acordei ela não estava mais. Foi isso.

II

Entre o Mackenzie e o alto dos jardins (digo, o real alto dos jardins, que é onde moro até hoje. Ali você tem o Jardim Jerivá, o Jardim Aurelio, mais abaixo o Jardim Colégio, depois o Jardim das Rosas e os internacionalmente famosos Jardim Irene e Jardim Ângela - o primeiro sendo o lar do Cafu e o segundo um visitador freqüente das letras dos Racionais MCs, meus vizinhos queridos) há um Objetivo.

Eu ali, sentado, inusitadamente acordado, havendo acabado de fechar o livro que estava lendo, observei quando duas ninfas melífluas e donas da graça e da formosura (enfim: biscoitudas) entraram, saídas do velho e bom cursinho. Quis a Providência (ah, como ela é paciente comigo!) que parassem ao meu lado, de modo que ofereci-me mui garbosamente para segurar seus cadernos e apostilas. Acomodei a pilha sobre o colo, atentei ao roçar insinuante das calças jeans no meu ombro e deixei simplesmente a natureza seguir seu curso. Leia-se: dormi.

De repente tomei consciência de que dormia e abri os olhos. Com horror notei que estava curvado sobre os cadernos das meninas e uma grossa poça de baba escorria pela capa do que estava no cimo da pilha. Pensei rápido. Enquanto respirava fundo e endireitava as costas, passava sutilmente a mão sobre a poça, tentando secá-la. Evidentemente não levantei mais os olhos para elas, nem quando elas pediram suas coisas, de modo que jamais saberei se elas notaram ou não a hidratada que dei em suas coisas.

III

Aí eu estava no Jardim das Rosas, o proverbial ônibus que ligava o largo de são francisco ao alto dos jardins, retro mencionado. É bom frisar que nunca, jamais, avistam-se no referido coletivo graciosas moçoilas de cabelos loiros. Imaginem, pois, meu espanto ao ver uma legítima representante dessa nobre classe adentrando o ônibus. Imaginem o calor interno ao ver que ela olhava para mim, só então para o assento vago ao meu lado, e assentava-se dizendo: "com linceça" com indizível graça.

Ah, quanto trabalho tem a Providência comigo. Dormi, claro, e acordei sobressaltado quando percebi que minha cabeça pendeu para trás e acertei o balaústre do banco, fazendo um ruído altíssimo. Ela me olhou, eu sorri e, óbvio, jamais olhei para ela outra vez nessa vida.

IV

Aí a coisa era diferente. Eu a conhecia. Eu queria muito namorar com ela. Eu gesticulava freneticamente disparando meus argumentos e minha lábia mais afiados. A um dado momento ela pediu licença e enfiou a mão por entre as folhas da janela do antigo ônibus, que estava trepidando irritantemente, para podermos continuar a conversar e foi assim, nessa situação pouco semelhante a uma lareira acesa e um foundue de chocolate, ou um luar sobre uma baía plácida de Ubatuba, que ela disse sim.
09:25

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Quarta-feira, Maio 19, 2004
Elegância sem pedância

No basquetão de domingo alguém levou a Veja. Entre uma e outra enterrada de costas saltando da linha dos três pontos, dei uma folheada na vejinha, que trazia a sugestiva matéria de capa: os 50 mais elegantes de São Paulo. Nem parei para ver como foram escolhidos, só passeei os olhos - bocejando - por aquele desfile de vaidade e arrogância. Veja fez as mesmas três perguntas a todos: o que não pode faltar em seu armário? o que nunca usaria? e que dica você dá pros manés? (não com essas palavras, claro), e tirou uma foto de cada agraciado com tão alto lauréu.

As perguntas eram sempre respondidas com as peças de roupa preferidas de cada um, o que achavam cafona e a dica que davam era sempre de uma lavanderia, uma sapataria, um alfaiate ou algo do gênero.

Dentre todos que fizeram caras e bocas, vestidos de forma moderosa ou simplesmente clássica, percebi alguém que destoou radicalmente dos demais listados. Era o arquiteto Isay Weinfeld, que fez questão de ser fotografado com uma calça bege e uma blusa de lã sem nada de mais. Suas respostas às tais perguntas, contudo, é que mais me chamaram a atenção:

O que não pode faltar no meu guarda-roupa: "Cabide"

Jamais usaria: "Peruca"

Minha dica: "Antes de consumir qualquer coisa, diga 'bom-dia' ao vendedor, 'por favor' ao escolher a peça e 'muito obrigado' ao recebê-la. Já é um grande passo para se tornar elegante".

Espirituosidade, humildade e ojeriza ao pedantismo típicos dos que buscam holofotes a todo custo, na lista dos 50 mais elegantes da Veja São Paulo? Flores no asfalto, diria Drummond.


Taí o dito cujo, ao lado de outra laureada.

10:45

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Sexta-feira, Maio 14, 2004


Sabe, eu gosto muito de futebol. Mas sei lá, tem dias que eu gosto mais, entende?

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Viajandices

Andei meio ausente. Tava dando umas voltas. Tornei a pisar a terra boa do Tiagón e do Milton Ribeiro: Porto Alegre. Propaganda enganosa: levei um casaco maior que eu e o frio nem deu as caras. Mas tava suficientemente cool pra eu encarar um bifê de sopas digno de lôas, ali na avenida independência (I guess). Aí de lá fui pra cidade maravilhosa. Uma massa do Spoleto num terraço de frente pro Pão de Açucar e a praia do Botafogo num dia reluzente eram mais que suficientes pra eu chamar o Rio assim: Cidade Maravilhosa.

O resto da semana eu passei foi subindo escadas na esperança de perder os quilos a mais com que essas viagens sempre nos brindam. Cortar o cabelo e o cavanhaque não foram suficientes.

* * * * * * * * * * * * * * *

Luto

Mano Hélio Serafino ausenta-se da blogosfera por motivos pessoais. Seu Blog Ranger foi quem deu a péssima nova. Mais uma baixa inestimável pra todo mundo que gosta de diversão, inteligência, nostalgia do Tião Macalé e ginga sulamericana.

Mas é. Comecei a semana falando de histórias de terros e a termino contanto uma notícia terrível. Xô, urucubaca! Só Rosa, a Rumorosa, poderá nos salvar. Semana que vem, no melhor É Por Aqui Que Vai Pra Lá? do seu bairro.
14:33

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Terça-feira, Maio 11, 2004
Demônios, pesadelos, medo, escuridão e outros estranhos habitantes de nossa mente

Curioso fascínio esse, o do medo. Particularmente odeio filmes de terror, não tenho prazer algum neles, mas não deixa de chamar a atenção o sucesso constante do gênero há séculos.

* * * * * * * * * * * * *

Lendo a revista Mundo Estranho deste mês, descobri um fato interessantíssimo. Duas das figuras mais cultuadas desse universo nasceram numa mesma noite, em um mesmo lugar, e ambos tiveram a formatação que conhecemos graças a estranhos pesadelos: Frankenstein e Drácula. O poeta Lorde Byron alugou uma casa na Suíça, para onde convidou o poeta romântico Percy Shelley, sua namorada Mary e um escritor inciante chamado John William Polidori, que parecia ter um casinho com o anfitrião, a quem, aliás, ministrava ópio. Uma tempestade daquelas, de filme de terror mesmo, abateu-se sobre o lugar, e os quatro ficaram ilhados. Boatos da vizinhança contam de sexo, drogas e só faltou o rock n' roll porque ainda estamos em 1816. Byron teria lido em voz alta alguns contos de fantasmas e propôs que cada um escrevesse uma história de dar medo. O papo enveredou por vida após a morte, obscuros avanços científicos daquela época, o perigo de o conhecimento cair em mãos erradas e outras coisas sombrias. A jovem Mary, que mais tarde casou-se e passou a usar o sobrenome Shelley, teve um sonho horripilante por causa daquele caldeirão de influências. Passou a fazer pesquisas e ter conversas estimulantes por onde passava, até criar seu Frankenstein.

Naquela noite Lorde Byron escreveu um conto sobre mortos-vivos que impressionou bastante John Polidori. Três anos mais tarde ele escreveu um conto chamado The Vampire, que contava a história de um jovem libertino morto na Grécia e que se tornava um sugador de almas. O negócio tornou-se uma peça teatral de sucesso que influenciou bastante um sujeito irlandês chamado Bram Stoker. Depois de se entupir de livros e pesquisas sobre vampirismo e provavelmente após ter comido muita carne de porco no jantar, Bram Stoker sonhou com um tipo de personalidade forte cercado de escravas sexuais, que mordia o pescoço de um jovem bonito e lhe sugava o sangue. Boiolagem, portanto, na gênese desse mito, a quem ele denominou Drácula, mesclando informações a respeito de um sádico nobre romeno chamado Vlad III, a quem chamavam Drácula, que significa, sugestivamente, demônio ou dragão. Foi ele quem botou o vampiro-mor na Transilvânia (região da Romênia onde há muita superstição) e deu os contornos básicos do personagem. A única ilustração que permitiu constar de seu livro era a de um homem alto, metade morcego.

Tanto um personagem como o outro protagonizaram dezenas e dezenas de filmes e peças de teatro. Filmes como o atual campeão de bilheterias nos EUA, Van Helsing, demonstram que o fascínio está longe de acabar.

* * * * * * * * * * * * * * * *

Mas qual o prazer em sentir medo? Aonde está a origem dessa satisfação das massas por serem confrontadas com the dark side das coisas? Como não partilho desse gosto, taí um mistério que me põe medo.

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Pra não dizer que não gosto do gênero cinematográfico como um todo, gostei muito do primeiro Alien. Certamente porque o filme juntava à fórmula homem X coisa nojenta, cruel e aterrorizante os elementos de ficção científica que à época me fascinavam, além de ter sido filmado num estilo diferente, inovador, em que a câmera não focaliza muito bem a cena, corre, sobe, desce, enfim, imprime um ritmo opressor à película.

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A verdade é que desde que parei completamente de me alimentar desse tipo de coisas, jamais tive um único pesadelo sequer. Isso já faz pelo menos onze anos. Parei de me entupir de ficção por descobrir um inusitado prazer na leitura da Bíblia. Como ela diz, "a boca fala do que está cheio o coração" e poderia complementar com "a mente sonha o que está cheio o coração também". (Acho que se eu fosse ter um pesadelo agora, seria a gerente do banco me perseguindo pelas ruas com um olhar maléfico) Well, dada minha inapetência latente pelo gênero, não faço questão nenhuma de ter pesadelos e prefiro muito mais uma noitada de asneiras besteirólicas do que de causos de arrupiar os cabelos ao redor da lareira.

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Medo é um dos sentimentos mais básicos do ser humano. Contudo, se eu estivesse andando por um horripilante vale da Transilvânia em noite sem lua, ou pelos corredores da nave espacial assolada pelo Alien, ao lado do Superhomem, não teria porque temer.

Como ando o tempo todo tendo ao lado Alguém muito maior que Superhomem, a graça que o medo pudesse ter esvai-se por completo.
11:02

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Segunda-feira, Maio 10, 2004
Lacuna imperdoável

Foi o comentário do Hélio Serafino no poste anterior que me fez notar a ausência do Milton Ribeiro na lista de melhores postes dos blogues que visito diariamente. Isso me fez notar que a lista foi feita com pressa e mal explicada. Na verdade, já tinha em mente o poste do mestre Milton que ia eleger, mas na hora de escrever, falhô. Vai aí, pois, o primeiro poste da série "O Milton de Março de 2001 Entrevista o Milton de Hoje". Trata-se de um excelente exercício de imaginação memorialista, uma reflexão sobre a efemeridade das dores e o imperativo de acreditar-se na vida, contra toda evidência. Se você não conhece, faz mal em não conhecer.

Mano Alê Spissoto chama a atenção para a falta de um poste de outro blogue visitado religiosamente todo dia, Ernestinho e Suas Mulatas Besuntadas. No caso não foi lapso, mas pudores em colocar no mesmo nível dos demais um blogue no qual também boto meus dedos, mas se tivesse que eleger o melhor poste de Ernestinho, passaria uns oito anos meditando. Provavelmente optaria afinal por um dos episódios de POPwritersSTARS, sátira ao POPstars do SBT, ou o poste que dá as coordenadas para chegar-se à sede de Ernestinho, escrito pelo Helio. Pra não passar oito anos pensando num único poste, reafirmo minha isenção jornalística e mantenho Ernestinho fora do alvo dessa lista.

Dos blogues visitados todo dia faltou apenas algo do Ipsis Literis, porque os postes da amiga Denise Juhasz são, em sua maioria, citações e promoções de conteúdo alheio. Há uma dúzia de outros blogues que não visito todo dia porque eles não são atualizados com tanta freqüência, duas entradinhas semanais me põem a par do que acontece. Figuras como mano Tiago Jokura e Vanildo O. deveriam escrever mais amiúde, ora pois.

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Maluf: será que ele é?

Muitos blogueiros de boa cepa, além de cronistas e comentaristas de substância, têm identificado o senhor Paulo Maluf como sendo a encarnação do coisa ruim, do tinhoso, do cão. Hemos de convir que o tal fornece material suficiente para embasar tal assertiva. Esses dias eu assistia ao noticiário e o via discursar num encontro de seu partido, falando que um dia ele vai estar na presença de Deus e então vai ocupar uns dois meses dEle só pra fazer uma lista de tudo o que já fez nessa vida. Ao cabo dos dois meses, Deus certamente o absolveria de seus "pecadinhos", já que o que ele fez foi muito mais, Maluf passaria dez minutos no purgatório e estaria liberado. Logicamente, os militantes do PP aplaudiram efusivamente.

Curioso o conceito teológico popular que o Maluf usa pra mais uma vez valer-se da mística do "rouba mas faz": o de que o julgamento divino é feito numa espécie de balança, em que se temos mais boas obras que más, estamos salvos. Em suma, nossa salvação é obrada por nós mesmos, temos que fazer coisas boas para compensar as ruins, e no fim somos capazes de convencer a Deus de que somos dignos de estar no paraíso. Além de esse conceito ser equivocado, de tornar inócuo o sacrifício de Cristo em nosso favor, é mesmo enojante que o cidadão queira vender esse mesmo peixe populista e demagogo ainda outra vez. Ninguém mais engole, seu Maluf, ninguém mais!

No entanto, é ainda mais curioso notar o tempo exato em que, de repente não mais que de repente, aparecem centenas de provas da existência de contas correntes no exterior. Justamente no ano eleitoral em que Maluf poderia sagrar-se prefeito de São Paulo outra vez. Santa coincidência, Batman!
13:39

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Sexta-feira, Maio 07, 2004
The very best of the very best blogs

Espantemos, pois, a falta do que dizer, elegendo os melhores postes dos meus blogues prediletos. Ou melhor colocando (sem trocadilhos), os postes que mais me agradaram entre aqueles blogues que costumo ler todos os dias. Pronto. Embora substituir a magnânima Laetitia Casta do poste anterior me doa um pouco, confesso. Mas vamos lá.

Comecemos com o homem, o mito, Ruy Goiaba:

O LÁBARO QUE OSTENTAS ESTRELADO
Uma ótima compilação de sugestões para substituir o slogan Ordem e Progresso da bandeira nacional. Os comentários são imperdíveis.

From Bereteando, do genial Tiagón Casagrande:

Justiça Sangrenta
Hilária sátira dramatúrgica, cheia de referências e desfechos inusitados. Bravisimo!

De Blog Ranger, do comparsa Helio Serafino:

Crise
Excelente, especialmente porque a idéia desse texto certamente nasceu da mesma forma que a idéia deste poste.

De Inagaki San, o Pensar Enlouquece. Pense nisso:

Palavras, Palavras
É cumpricado escolher um poste do Inagaki, como dos outros também, mas dele mais ainda porque está de casa nova há só uns meses e não sei como acessar os postes antigos. Este, contudo, é ótimo, mas não descobri também como acessá-lo direto. Vai lá no blog dele e busca o poste de 28/02 deste ano, e então delicie-se com uma bela reflexão sobre a beleza da palavra.

Do mestre Nelson

Parábola policial
O link não funcionou agora há pouco, espero que você tenha mais sorte. Porque vale muito a pena, um dos melhores postes que já li em toda minha vida bloguística.

Do Órbita, da Luciana Teixeira:

Pomba, daqui é especialmente difícil escolher um. Luna é uma das melhores escritoras que conheço e é uma lástima que seu blogue esteja empoeirado, embora seja por uma causa tão nobre quanto casar com o amor de sua vida. Mas fico com Notícias do Mundo da Lua, que dá bem o tom do blogue. É de 14/11/03.



13:09

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Terça-feira, Maio 04, 2004
Eu dedico essa conquista às criancinhas

Pela primeira vez em toda a História (repare no h maiúsculo, indicativo irretorquível de megalomania em seu estado mais puro) de É por aqui que vai pra lá? esta é a primeira vez que o atingimento de uma marca de visitas é entremeada por um único poste. Sim, há dois postes atrás eu comemorava 15.000 visitas. Quatro dias depois, com um final de semana incluído, cá estou eu para estourar meu Allegra sabor abacaxi e me empanturrar de pastel de ovo e carne vegetal em festa pelas (virge mary!!!) 20.000 visitas. Nem na época em que eu ainda comemorava de 500 em 500 visitas um tal feito se viu e é tudo culpa de Mr. Bloggerman, que me botou no Blogs of Notes de forma muito simpática e digna de amplexos e lôas. Hoje ele publica outra lista de Noteáveis e todo esse afluxo se vai, ficam apenas os bons e velhos conpañeros de troca de figurinhas. É para estes, portanto, que tasco minha biscoituda comemorativa, a digna de encher-se a boca, estufar-se o peito e berrar aos quatro ventos a exatidão divina Laetitia Casta.

Pra mulherada não ficar deprimida, boto aí, plagiando Helio Serafino (uma vez mais. Tá virando moda) aquele que imperou absoluto no olimpo da perfeição anatômica masculina durante os anos 90: Valderrama.

Congratulem-se comigo, cumpadres!





* * * * * * * * * * * * * * *

Depois do Valderrama há pouco o que dizer, mas não poderia deixar de lembrar ao dileto leitor que hoje tem capítulo de Maria de Auschwitz novinho em folha no Ernestinho. O presidente Lula já pediu um espaço em sua agenda para poder ler no recôndito de seu lar.

08:25

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Segunda-feira, Maio 03, 2004
Garfield's spirit

Segunda-feira. Estou projetando ligar o cérebro lá pelas 19 horas. Oportuno, então, tascar aqui uma dessas piadinhas que a gente recebe por emeio. Se você não der risada (mesmo já conhecendo tudo) és babaca.

Babaca Identificator Tabajara

Se você se encaixa em alguns desses itens, você é babaca.

1. Almoço em grupo. Mesa retangular. Um de seus colegas, o Fulano, se senta numa das pontas da mesa. A primeira coisa que você diz é: "O Fulano vai pagar a conta!".

Você é um babaca.

2. Início da madrugada. 1h16 a.m. Alguém lhe diz: "cara, amanhã vou acordar às 7h". Você se apressa em dizer: "Amanhã não. Hoje!".

Você é um babaca.

3. Seu colega chegou mais tarde no trabalho e resolveu almoçar em casa. Quando ele chega ao local de trabalho, você o convida para almoçar e ele lhe esclarece que já almoçou. É quando você, ágil como um sapo apanhando uma mosca, solta a frase:
"então você já veio comido?".

Seu babacão...

4. Ou pior, o seu amigo chega atrasado no serviço e diz sorrindo: "Bom dia!!!", e você responde: "Boa tarde!!!".

Você é um babaca.

5. Quando as pessoas estão cantando parabéns, você tenta embolar a cantoria, gritando os versos do início da música, enquanto todos já estão no meio da canção.

Bingo !!! Você é um babaca.

6. Você fica rindo quando um homem diz que tem 24 anos, aludindo ao número do veado no jogo do bicho.

Você é um babaca.

7. Você faz alguma piada quando alguém diz que é do signo de virgem.

Vai ser babaca assim no mercadinho Taba.

8. Você diz para um amigo: "se esconda!!" quando passa o carro da polícia.

Você é um babaca.

9. Quando uma mulher diz que está "de saco cheio", você diz que isso não é possível porque ela não tem saco.

Precisa dizer de novo ? Seu babaca !

10. Se a anfitriã anuncia: "Temos pavê de sobremesa e você pergunta: "é pra vê ou prá comer?"

Mas como você é babaca !!!

08:50

Ok, eu permito que você escreva alguma coisa

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